Doença de Parkinson: sintomas, causas, diagnóstico e tratamentos


20/04/2026

A doença de Parkinson é uma patologia neurodegenerativa crónica e progressiva que afeta o sistema nervoso central, comprometendo principalmente o controlo dos movimentos. Em Portugal, estima-se que sejam cerca de 20 mil as pessoas afetadas, existindo uma maior prevalência nos homens.

O que é a Doença de Parkinson e que áreas do cérebro afeta

A doença de Parkinson (ou Parkinson) é uma doença neurodegenerativa crónica e progressiva que afeta o sistema nervoso central, em particular as áreas do cérebro envolvidas no controlo dos movimentos, os chamados gânglios da base, estruturas profundas do cérebro fundamentais para o controlo motor, cognitivo e comportamental. 

 

A doença é causada pela degeneração das células da Substantia Nigra, responsáveis pela produção de dopamina. Quando se perde mais de 60% destas células, verifica-se uma redução significativa da dopamina, neurotransmissor essencial para a regulação dos movimentos. 

Sintomas da doença de Parkinson: motores e não motores

Os sintomas da doença de Parkinson incluem manifestações motoras e não motoras, que podem surgir em simultâneo ou em momentos diferentes. 

Os principais sintomas motores incluem: 

- Bradicinésia, ou seja, lentidão nos movimentos; 

- Tremor mais frequente em repouso; 

- Rigidez; 

- Instabilidade postural (nas fases avançadas). 

 

A par destes, são também frequentes os sintomas não motores, entre os quais: 

- Distúrbios do sono como a perturbação do comportamento do sono REM; 

- Ansiedade e depressão; 

- Problemas cognitivos (memória e linguagem); 

- Alterações do olfato; 

- Distúrbios gastrointestinais e urinários. 

 

Em alguns casos, os sintomas não motores podem surgir antes dos sintomas motores ou seja,  anos antes do diagnóstico. 

Diagnóstico da Doença de Parkinson

O diagnóstico da doença de Parkinson é principalmente clínico e é realizado por um neurologista

Baseia-se na avaliação dos sintomas e um exame neurológico aprofundado. Para confirmar o diagnóstico ou excluir outras doenças, podem ser solicitados exames de imagem, tais como: 

- Ressonância Magnética (RM);  

- Single Photon Emission Computed Tomography – Dopamine Transporter ( SPECT-DAT ou DaTSCAN); 

- Tomografia por Emissão de Positrões (PET).  

Causas da doença de Parkinson

Nos últimos anos, a investigação tem feito progressos na compreensão das causas da doença; descobriu-se o papel da alfa-sinucleína como constituinte dos corpos de Lewy (agregados proteicos anormais que se desenvolvem no interior das células nervosas e as danificam) e existem importantes estudos genéticos; no entanto, ainda estamos longe de encontrar uma terapia farmacológica eficaz que conduza à cura ou à interrupção da progressão dos sintomas. 

 

Por este motivo, é fundamental uma abordagem clínico-reabilitativa global e integrada que recorra a todos os avanços (farmacológicos, psicológicos e tecnológicos) mais recentes, a fim de tirar o máximo partido das capacidades psicofísicas das pessoas afetadas pela doença de Parkinson e, assim, melhorar a autonomia motora e a qualidade de vida.

Terapia farmacológica

A terapia farmacológica deve ser sempre personalizada e adaptada ao longo do tempo, de acordo com a evolução da doença. 

Terapias Avançadas e Cirúrgicas

Quando a terapia farmacológica já não é suficiente e surgem flutuações motoras ou discinésias, podem ser consideradas opções terapêuticas mais avançadas. 

Entre estas incluem-se: 

- Estimulação Cerebral Profunda (ECP);

- Ultrassons focados guiados por Ressonância Magnética (MRgFUS).

Estilo de vida e reabilitação: uma abordagem multidisciplinar 

O tratamento da doença de Parkinson requer uma abordagem multidimensional, que integre terapia farmacológica, reabilitação e estilo de vida. 

A atividade física regular é fundamental para manter a mobilidade, o equilíbrio e a flexibilidade, além de contribuir para o bem-estar psicológico. É hoje em dia uma ferramenta terapêutica que pode alterar a história natural da doença. 

 

Do ponto de vista alimentar, recomenda-se uma dieta equilibrada (como a dieta mediterrânica), com algumas atenções específicas: 

- Ingerir proteínas preferencialmente na refeição do jantar; 

- Garantir um aporte adequado de fibras; 

- Manter uma boa hidratação

 

Por fim, alguns bons hábitos diários podem apoiar o tratamento da doença: 

- Regularizar o sono

- Evitar o tabagismo e o abuso de álcool; 

- Monitorizar a pressão arterial

 

A doença de Parkinson é uma doença complexa, mas controlável com uma abordagem integrada. Um diagnóstico precoce e um tratamento personalizado podem melhorar significativamente a qualidade de vida dos doentes. 

Na presença de sintomas suspeitos, é importante consultar atempadamente um neurologista especialista. 

Revisão médica por: Dra. Dulce Neutel

Serviços disponibilizados