Obesidade e inflamação silenciosa

A importância de um bom estilo de vida


07/05/2025

A Obesidade é uma condição multifatorial determinada pela acumulação de tecido adiposo no corpo. Quando o balanço energético é positivo, ou seja, é consumida mais energia do que a gasta, a resposta é um aumento do tecido adiposo como forma de armazenar esta energia excedente.

A Organização Mundial da Saúde define um indivíduo como obeso se o seu Índice Massa Corporal (IMC) for igual ou superior a 30kg/m2. No entanto, foi proposta recentemente uma redefinição do conceito de obesidade, afastando-se desta medida como métrica única para o diagnóstico.

Segundo o relatório publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, o obhetivo é criar critérios mais precisos para identificar as pessoas que mais necessitam de tratamento.

Tipos de Obesidade

O relatório introduz dois novos conceitos:

Obesidade clínica

Aplica-se a pessoas que têm IMC elevado e outros marcadores de Obesidade (perímetro abdominal), aliados ao diagnóstico de problemas de saúde associados ao excesso de gordura, como doenças cardiovasculares, hipertensão, problemas hepáticos, diabetes ou dores articulares severas.

Obesidade pré-clínica

Refere-se a pessoas em risco de desenvolver condições relacionadas com o peso, mas que ainda não apresentam problemas de saúde.

A manutenção de hábitos de vida desequilibrados, de sedentarismo e de uma alimentação também desequilibrada, leva ao aparecimento de outras doenças relacionadas com o excesso de adiposidade, caracterizando-se então como Obesidade clínica. Estas condições levam à limitação da vida pessoal e apresentam um custo bastante elevado para os cuidados de saúde.

Multifatoriedade da Obesidade

A Obesidade é uma doença multifatorial e muito complexa, na sua génese estão combinados vários destes fatores.

Um estilo de vida desequilibrado, em termos de alimentação e de atividade física, continua a ser uma das principais caudas da Obesidade. A quantidade e a qualidade do que comemos, o consumo excessivo de ultraprocessados, pré-feitos, etc., é um ponto chave deste problema, existe um excesso de gordura neste tipo de alimentos, excesso de açúcares refinados, mas também de produtos já demonstrados inflamatórios (edulcorantes, etc.).

No entanto, a genética, disfunção metabólica (tiroide, insulinorresistência, cortisol, etc.) e/ou psicológica (perturbações do comportamento alimentar, fome emocional, etc.) podem estar na sua origem.

A genética pode desempenhar um papel, mas sabe-se hoje que apenas 20% do nosso ser e da nossa longevidade saudável são determinados pela simples genética, os restantes 80% são regulados pela epigenética, a regulação genética capaz de modificar todas as características de um organismo.

A desregulação metabólica pode desempenhar um papel importante, muitas vezes causada pela inflamação crónica de baixo grau e por isso silenciosa, ou seja, sem sintomas, que é gerada por um estilo de vida pouco saudável, uma dieta desequilibrada, falta de exercício, stress, falta de rotina alimentar, sono de pouca qualidade, poluição do nosso planeta, etc. E se não podemos fazer nada pelo planeta, podemos certamente fazer muito por nós próprios e trabalhar nos outros fatores.

Tratamento da Obesidade, o que fazer?

Padrão Alimentar Protetor

Ao escolhermos uma alimentação adequada e equilibrada, por exemplo com a Dieta Mediterrânica, património da UNESCO, optamos conscientemente por uma dieta anti-inflamatória que nos permitirá prevenir doenças crónicas como a diabetes, a síndrome metabólica, a hipertensão, mas também doenças neurodegenerativas do envelhecimento, promovendo também a sustentabilidade dos recursos. De facto, estudos recentes demonstram que as emissões de gases com efeito de estufa são significativamente mais elevadas na produção de carne vermelha, carnes transformadas e queijo, do que na produção de produtos vegetais.

Contrariar a inflamação silenciosa

Tem crescido a preocupação de garantir que o nosso envelhecimento não é prematuro e que acrescentamos anos à nossa saúde e não anos à nossa doença. Para isso, temos de ter atenção a vários fatores, já antes mencionados e relacionados com o nosso estilo de vida.

O primeiro aspeto em que temos de atuar é a nossa alimentação, para que seja anti-inflamatória e não pró-inflamatória, de qualidade e não em quantidade, e rica em nutrientes benéficos para a nossa saúde, ou seja, fatores de proteção.

É também muito importante combater o sedentarismo através da prática regular de exercício físico, caminhadas ou atividades desportivas.

A utilização de medicamentos destinados à perda de peso ou mesmo a cirurgia bariátrica, são recursos que são utilizados em situações específicas e sob critérios bem estabelecidos, que apresentam riscos e que só podem ser utilizados de forma segura, com o devido aconselhamento e seguimento médico.

Somos o resultado da nossa experiência e das nossas escolhas, mas a mudança e a adoção de hábitos mais saudáveis com a ajuda de especialistas formados em Nutrição, Psicologia e motor, são cruciais para a melhoria da saúde e tratamento desta doença tão complexa. É necessária a mudança sustentável e duradoura no tempo, para promover o bem-estar e prolongar os anos de vida com saúde.

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