Endometriose: um problema comum, nem sempre diagnosticado a tempo
A Endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns, mas muitas vezes passa despercebida ou é erroneamente atribuída a outros problemas de saúde. Esta doença desenvolve-se quando um tecido semelhante ao revestimento do útero começa a crescer fora da cavidade uterina – nas paredes do útero, ovários, trompas de Falópio, peritoneu que reveste a bexiga ou intestino.
Embora milhões de mulheres em todo o mundo sofram de Endometriose, os sintomas são muito variados e nem sempre claramente identificáveis, pelo que as mulheres sofrem durante muito tempo de dores e outros males até finalmente obterem uma explicação precisa sobre o que os causa.
Principais sintomas da Endometriose
O sinal mais comum da Endometriose é uma dor forte e dolorosa no abdómen e/ou na pélvis durante a menstruação. No entanto, muitas mulheres consideram a dor durante a menstruação um «fenómeno normal» e só procuram um especialista quando a dor se torna insuportável ou começa a interferir na sua vida quotidiana.
No entanto, a dor não é o único sintoma. As mulheres também podem apresentar:
- Dor durante as relações sexuais;
- Menstruações abundantes (superiores a 8 dias);
- Manchas castanhas antes do início e no final da menstruação;
- Fadiga crónica, fraqueza, queda de cabelo;
- Distúrbios digestivos, inchaço abdominal;
- Dificuldades em engravidar.
O diagnóstico da endometriose é complicado, principalmente devido à variedade de sintomas, que podem confundir não só as pacientes, mas também os médicos. Como muitos destes sintomas coincidem com outras doenças ginecológicas ou digestivas, a Endometriose é frequentemente confundida com a síndrome do intestino irritável ou mesmo com infeções do trato urinário.
Além disso, nos estágios iniciais, a doença nem sempre é detetada em exames de rotina. Um dos principais métodos para avaliar o estado dos órgãos pélvicos são as ecografias, que podem revelar cistos ou outras alterações nas paredes do útero e nos ovários, características da Endometriose.
Possíveis consequências da Endometriose
A Endometriose não tratada pode causar complicações graves, sendo as mais comuns:
- Infertilidade ou dificuldades em engravidar;
- Dor crónica no abdómen e na pelve;
- Formação de cistos (endometriomas) nos ovários, o que pode exigir tratamento cirúrgico;
- Aderenças que podem prejudicar o funcionamento dos órgãos internos.
Estas consequências são muito incómodas para as mulheres e causam problemas de saúde a longo prazo, piorando a qualidade de vida da mulher, por isso é importante diagnosticar e tratar a Endometriose o mais cedo possível.
O tratamento da Endometriose depende da gravidade dos sintomas e da idade da paciente. Para o tratamento, podem ser utilizados medicamentos não esteroides para a dor e a inflamação (AINEs), mas o mais adequado e eficaz é a terapia hormonal (pílulas anticoncecionais, DIU hormonal, outros medicamentos hormonais).
O tratamento medicamentoso com preparações hormonais retarda e reduz o crescimento de tecidos patológicos, a sua progressão e diminui a probabilidade de tratamento cirúrgico. Se a doença for diagnosticada em estado avançado, é realizado um tratamento cirúrgico, no qual são removidos os quistos e os implantes endometriósicos patológicos, muitas vezes juntamente com o órgão danificado ou parte dele.
Quando esta doença causa infertilidade, podem ser necessários procedimentos de fertilização assistida, por isso é muito importante que o tratamento seja individualizado e adaptado à situação e ao estado atual de cada mulher.
A Endometriose é uma doença inflamatória crónica que se acalma e se torna totalmente inativa apenas quando a mulher entra na menopausa, por isso é importante não se esquecer de fazer exames regulares. Mulheres em idade fértil que sofrem de sintomas de Endometriose devem consultar um ginecologista 1-2 vezes por ano, dependendo do seu estado de saúde.
Revisão médica por: Dr. França Martins
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