A Doença Celíaca


26/07/2019

A Doença Celíaca é um processo inflamatório crónico que se desenvolve em pessoas suscetíveis como resultado da ingestão de glúten, uma proteína exclusiva da farinha de trigo e de outros cereais, como o centeio e cevada.

O que é a Doença Celíaca?

A Doença Celíaca é o resultado da inter-relação entre a ativação da resposta imune celular mediada por células T (inflamação) e a resposta imune humoral mediada por células B (produção de autoanticorpos) mediante a exposição ao glúten em pessoas geneticamente predispostas.

Esta doença tem uma prevalência média na ordem de 2% da população em geral.

Há grupos de risco, onde a incidência é mais elevada do que a da população geral: parentes de primeiro grau de pacientes celíacos, diabetes mellitus tipo 1, certas síndromes como síndrome de Down, Turner e Williams, doenças autoimunes de tiroide e fígado, e pacientes com deficiência de IgA.

A Doença Celíaca é uma doença subdiagnosticada. Pensa-se que apenas cerca de 10-15% dos doentes celíacos estão diagnosticados, o que representa um importante problema de saúde pública.

Esta doença é caracterizada por lesões intestinais inespecíficas que perturbam a absorção de nutrientes, devido à atrofia das vilosidades intestinais.

A eliminação do glúten da alimentação permite que o intestino regenere da lesão e o organismo recupere. Contudo, se houver reintrodução do glúten, as inflamações regressam e os sintomas reaparecem. Um diagnóstico atempado é de extrema importância, pois o quadro clínico vai piorando com a continua exposição ao glúten, podendo surgir complicações irreversíveis.

As manifestações clínicas podem aparecer em qualquer idade ainda que sejam mais frequentes na infância após a introdução das papas na alimentação e na adolescência, mas também pode aparecer na idade adulta.

Sintomas mais comuns da Doença Celíaca

Sintomas mais comuns na criança celíaca


Diarreia crónica ou prisão de ventre alternadas, repetidas dores abdominais, perda de apetite, gases e cólicas intestinais, fezes malcheirosas e pálidas, fadiga e falta de energia, anemia inexplicável, atraso no crescimento, cãibras musculares, dores ósseas e articulares, erupções dolorosas na pele.

Sintomas mais comuns no adulto celíaco

São muito variáveis e inespecíficos, não sendo necessariamente proporcionais ao grau de atrofia das vilosidades ou à extensão do envolvimento intestinal. Podem confundir-se com outras doenças como a dispepsia funcional ou síndrome do cólon irritável.

Os sintomas gastrointestinais são os mais comuns: diarreia, esteatorreia, flatulência, podendo também ser acompanhados por perda de peso, anorexia, náuseas ou outros sintomas extraintestinais: dor óssea que pode ser confundida com dor reumática, anomalias dentárias, urticária, dermatite herpetiforme, pele seca, calvície precoce, menopausa precoce, infertilidade, depressão.

Diagnóstico da Doença Celíaca

O diagnóstico da Doença Celíaca não é fácil, depende da combinação de 4 elementos fundamentais que são:
– Os sintomas clínicos associados à sensibilidade ao glúten;
– Os níveis de anticorpos específicos da Doença Celíaca;
– Presença de HLA-DQ2 e/ou HLA-DQ8;
– As alterações características na biópsia duodenal.

Tratamento da Doença Celíaca

A exclusão rigorosa do Glúten da dieta reverte o quadro clínico e as lesões da mucosa, na maioria dos doentes. Em casos raros é necessário terapêutica imunossupressora. A dieta sem glúten deve ser mantida para toda a vida.

Em geral, os níveis de anticorpos normalizam 12 meses após o início da dieta sem glúten. A monitorização é feita com a determinação anticorpos Anti-transglutaminase IgA após 6 a 9 meses o início da dieta.

O glúten do trigo pode estar presente em vários produtos alimentares e farmacológicos. Uma dieta sem glúten não é um regime alimentar fácil de seguir.

A Associação Portuguesa de Celíacos ( APC) em www.celiacos.org.pt disponibiliza informações importantes sobre a doença. Esta associação dá apoio aos doentes celíacos tornando a sua vida mais fácil.

Por Idalina Melfe (Especialista em Análises Clínicas)